terça-feira, 13 de outubro de 2020

Escolha

 


    Saiu de casa apressada. Não podia se atrasar para a entrevista de emprego. Ao chegar lá, percebeu algo estranho " Estaria doente?". Não estava enxergando bem e seu rosto estava enrugado e os seus cabelos brancos como percebera ao olhar-se no espelho do elevador. O que havia acontecido?" Entrou em pânico. "Ficara velha de repente!". Tudo o que pensava é que queria sua juventude de volta. Ficou irada e violenta: começou a quebrar tudo do escritório de advocacia em que faria a entrevista de emprego. 
     Foi presa. Ao chegar na cadeia, viu-se jovem novamente. " Que brincadeira era essa que o tempo estava lhe fazendo?." Ficou sem compreender. Pegou 30 anos de cadeia. Só saíria de lá velha. 
    Encontrou uma pena de pássaro muito estranha na cadeia. Uma pomba pousava na janela todos os dias. Em um dia, ela deixou a pena branca. Havia uma mensagem nela " Você quer sua liberdade? Então, abra mão da sua juventude." Ela pensou e pensou. Preferiu a prisão.

Letícia Rocha Bilhalva









sábado, 3 de outubro de 2020

Exploração

 






Exploração


   Ela não tinha mais sossego. Não tinha um momento sequer que estivesse sozinha. Estava sendo explorada de tanto trabalhar para Camila de dia e de noite. Ela: a cama do apartamento de camila, que vivia deitada.


Letícia Rocha Bilhalva

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Ciúme

 




    Eles trabalhavam na cozinha. Um fazia limpeza. O outro cozinhava. Se davam bem. Eram grandes amigos. Os demais admiravam o companheirismo dos dois, porém um deles tinha o temperamento muito forte e, ao ver que seu amigo estava se destacando mais no serviço que ele, encheu-se de ira. Incendiou a cozinha por raiva. Enquanto o Palito limpava os dentes e fazia um grande sucesso, já que ninguém queria usar o Fio dental, o Fósforo foi substituído pelo Isqueiro.


Letícia Rocha Bilhalva

sábado, 6 de junho de 2020

Tempo para tudo

Tempo para tudo


Há tempo para tudo: tempo de ser escudo, tempo de ser espada. Há tempo para tudo: tempo de fazer amizades e tempo de perdoar.

Na vida, se conquista. Porém, há o tempo da batalha. Na vida, se trabalha, mas há também o tempo do descanso.

Há momentos de alegria. Mas, há momentos de chorar. Há situações em que se precisa compreender e há situações em que se precisa ser compreendido. Há mal entendidos e há também esclarecimentos.

Há o tempo de buscar conhecimento e o tempo de compartilhar o que foi aprendido.

Há o tempo de cantar, de abraçar e de pular de felicidade. Mas, chega a hora do luto.

Há a fase de ser criança e a fase de ser adulto. Há a fase de crescer e a fase de envelhecer.

É possível ganhar, perder e reconquistar. É necessário entender que não existe felicidade definitiva e que é vã a busca pelo sucesso permanente. O que existe é o tempo de ser bem-sucedido e o tempo de reconquistar novamente. Existe o momento de ser feliz e o momento de estar abatido. É preciso lutar pela paz interna para suportar as diversas formas que a vida se apresenta. Tudo depende do que é cultivado. A vida é um jardim que precisa ser cuidado todos os dias. Que a caminhada seja com flores brotando!

Letícia Rocha Bilhalva

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Tempo difícil

Tempo difícil


   Estamos apaixonados. Ele é o amor da minha vida: um pianista conceituado e eu, uma estudiosa de canto. Vivemos o outono e foi em um entardecer dessa bela estação que ele me pediu em casamento. Porém, nossas vidas foram interrompidas de forma inesperada.
   Um vírus atacou o nosso planeta. Estou impedida de ver meu amor. Meu noivo foi fazer um concerto na Itália e todos os membros da orquestra contaminaram-se com o vírus. Ele passou muito mal, foi diagnosticado e internado por tempo indeterminado. Não pode receber visitas. Para piorar a situação, estou impedida de cantar em shows e de dar aulas de canto devido a um decreto do governo do Rio Grande do Sul para que a população fique em isolamento. Estou em uma crise financeira por não ter dinheiro guardado e estar comprometida com a compra de um apartamento, mas minha família está me ajudando, pois meus pais são concursados. Por enquanto, faço doces para vender e ter o dinheiro do dia a dia. Me pergunto “O que fizemos para merecer essa situação no mundo?” É crise atrás de crise e vidas interrompidas ou perdidas. Amo meu noivo e quero vê-lo. Estou em profunda tristeza, nem no chuveiro canto mais.
   Acabo de receber notícias de que o governador do estado enviou um cronograma de reabertura das atividades. Fico feliz em poder voltar a trabalhar com a música mas, pelo que vi no cronograma, ainda terei que esperar mais uns meses. Porém, isso não é o que me preocupa mais. Sinto falta do meu Jorge, meu noivo pianista.
   Recebi uma ligação do hospital. Jorge está reagindo bem ao tratamento e receberá alta em breve. Meu coração está dando pulos de alegria. O vírus não destruirá minha vida, meu amor, minha carreira e o mundo. Nossos planos apenas foram interrompidos para que valorizemos mais cada instante que temos…

Letícia Rocha Bilhalva

sábado, 26 de janeiro de 2019

O objetivo da vida

Todo mundo um dia já se perguntou o que está fazendo na Terra. Eu já, você já e duvido que haja alguém que alcançou a maturidade e ainda não se perguntou.
Bem, muitos diriam que o sentido da vida é fazê-la valer a pena. Mas, o que é fazer a vida valer a pena? É aproveitá-la ao máximo obtendo mais e mais prazer dia após dia? Seria sacrificá-la para chegar a um sonho? Que sonho? Uma carreira promissora, status, fama, sucesso, dinheiro, poder?
Se a morte vier de surpresa, estaremos preparados para ela correndo a todo custo em busca de todos esses objetivos? 
Se você e eu soubéssemos agora mesmo que só temos mais cinco minutos de vida, qual seria a nossa reação? Provavelmente, perceberíamos que ainda não estamos prontos para deixar esse mundo. Perceberíamos que gastamos o nosso tempo com coisas vãs, que deixamos de abraçar os nossos entes queridos, de estender a mão para o morador de rua, de demonstrar aos nossos amigos o quanto os amamos. Perceberíamos que todo aquele dinheiro que está no banco não importa tanto quanto pensávamos...
Talvez nos daríamos conta de que o nosso coração não é puro e que queríamos ter um coração puro, mas não cuidamos dele durante a vida tentando melhorá-lo. Talvez nos déssemos conta de que a vida aqui na Terra só tem sentido mesmo se, realmente, existir uma vida após a morte, pois, se não for assim, por que estamos aqui?
Escolhemos ser criados? Eu não escolhi e, mesmo assim, existo. Alguém quis que eu existisse e isso vai muito além do acaso. Será mesmo que é tão difícil acreditar em um Criador e que a vida, realmente, tem um propósito?
E qual é o propósito, afinal? Do que mais nos arrependeríamos se soubéssemos que só nos restam mais cinco minutos? Eu arrisco dizer: de ter amado. Amado quem? Amado aqueles que passaram pelo nosso caminho.

Letícia Rocha Bilhalva

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Que loucura!

Saí, como de costume, para o colégio em que dou aula. Meu marido tomava o seu achocolatado, como sempre, pela manhã. Eu estava um pouco nervosa, pois havia muita louça na pia e sabia que, depois, ao voltar para casa, teria que lavar tudo. 
Estive dando aula, os alunos estavam muito agitados, e eu mais ainda devido ao excesso de atividades. Quando tocou o sinal do último período, senti um alívio! "Ah, até que enfim". Porém, lembrei que a louça da pia estava lá me esperando. 
Cheguei em casa, tudo vazio. Meu esposo trabalha à tarde e eu de manhã. De repente, me assustei...
A gaiola dos meus porquinhos da índia estava aberta. A louça também estava limpa. Pensei "Ah, que bom, o Ro adiantou para mim. Maravilha"! Mas não consegui comemorar por muito tempo, pois estava muito preocupada "Onde estariam os bichinhos?"
Eu procurei por tudo. Liguei para o Ro. Ele disse que não sabia de nada, que era para eu procurar, pois eles poderiam ter aberto a gaiola e saído, embora nunca tivessem feito isso. Agradeci ao Ro por ele ter lavado a louça. Ele disse que não se lembrava de ter feito isso, mas que, ultimamente, ele estava muito esquecido.
Olhei embaixo do sofá e vi uma pétala de rosa, depois andei pelos quartos, vi outra e mais outra... Comecei a ficar infinitamente assustada. "Alguém teria entrado na casa?"
Então, Sara e Éder apareceram. Seus olhos estavam brilhantes e as rosas também. Eu pensei que talvez poderia estar sonhando, pois tenho sonhos que, às vezes, parecem reais. Quem sabe esse seria um deles. Até que Sara me disse "Olá." Éder disse que aquelas pétalas de rosa eram para Sara. Ele havia pedido ela em casamento e pegou do buquê que o Ro havia me dado.
Sara me contou que todos os animais falam e que, quando um ser humano atinge o amor perfeito no coração, ele é capaz de ouvi-los. Eu perguntei "Mas, eu atingi?" "Sim. Era a nossa missão. Fazer você e o Ro atingirem. Vocês dois atingiram, mas não nos mostraremos para ele dessa forma, pois ele ainda é muito racional." Eu perguntei " E eu, não?" Eles encerraram dizendo " Você só sonha". 
Então, eles retornaram a sua forma original e entraram na gaiola. Pensei em contar ao Ro sobre tudo isso, mas resolvi que só ficaria entre Sara, Éder e eu. Por hoje é só, querido diário.

Letícia Rocha Bilhalva