sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O Tempo, as Lembranças e a Vida




   
    Às vezes fico pensando. Penso no quanto o tempo passa rápido e como sinto saudades de momentos que já passaram. Ouço músicas que fazem ressurgir lembranças, emocionam e quase me fazem chorar. Não de tristeza, mas, sim, por causa de um sentimento de querer reviver aquilo novamente, apesar de saber que só existe essa possibilidade na memória. As lembranças são um tesouro que deve ser guardado com carinho.
   Somos como flores, brotamos, crescemos e rapidamente murchamos. Cada momento da vida deve ser aproveitado para produzirmos o máximo que pudermos. Para que nossa vida tenha um significado enquanto vivermos e depois que partirmos. Os dias passam e cada um precisa ser valorizado como único, pois cada um tem o seu significado e somando-os, à medida que passam, formam nossa vida, nossas lembranças e experiências.
   Também penso no futuro, faço projeções, crio e imagino. É como se eu estivesse compondo uma melodia, deixo a intuição me levar, faço combinações de notas e acordes conforme vou sentindo. Compondo sou guiada pelo sentimento, mas, pensando bem, na vida mesmo sou guiada mais pela razão.
   Meu viver é compor e ouvir melodias que já compus, ou seja, é a partir de experiências passadas, agir. Cada nota que toco, vivo e o que vivo logo não será mais presente. E a nota seguinte não será mais futuro. O tempo todo haverá mudanças. O que era já não será mais e o que não era passará a ser. Da mesma forma que uma escada onde só se pudesse subir, e, à medida que se fosse subindo, os degraus fossem desaparecendo, pois o tempo não volta mais. Meu destino é ir subindo e aprender com cada degrau.

Letícia Rocha

texto escrito em 2008

domingo, 21 de outubro de 2012

Correndo no Deserto


   







   Vou correndo pelas areias do deserto. Lá na frente, eu enxergo um futuro incerto. Corro contra o vento. Talvez não haja mais tempo. Pois os trilhos estão distantes, apesar de parecerem estar perto.
   Que agonia! É provável que anoiteça.  O sol deixa de tocar sua sinfonia. A melodia desaparece antes que eu esqueça. A noite surge e eu, finalmente, esqueço. Não lembro mais que talvez não amanheça. Deixo de lado tudo e, então, desapareço.
   Surgi uma nova paisagem ao meu redor. O deserto desapareceu. Os rios que navego confirmam que o meu Deus é maior. O dia amanheceu.


Leticia Rocha

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Momento de Chuva












Chove intensamente
O céu vai escurecendo
Eu vagarosamente
Estou adormecendo                          

Escuto os trovões
As folhas escorregam                                       
Sonho com soluções
Mas elas não fecham

Quando a tempestade
Finalmente passar
Acharei a verdade
Difícil de achar

Passaram-se os ventos
Estou a descobrir
Que  é  nesses momentos
Que o melhor é sorrir


Leticia Rocha

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Pensamentos Indecisos

Quase todo instante
Um pensar inconstante              

Em diversos momentos

Assim são os pensamentos

Movendo-se incertos

Perdem-se em desertos

Vagam em correntezas                   

Nos rios das incertezas






Leticia Rocha

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Duas tesouras e Uma Cortina





   Meu quarto possui uma cortina colorida. A estampa é de uma paisagem com rios, árvores e um helicóptero.
   Hoje acordei com o som da campainha. Corri para atender. Qual foi a minha surpresa? Abri a porta e encontrei duas tesouras dentro de uma caixa. Nada entendi, mas eram bonitas tesouras. Segurei-as uma em cada mão e "recortei o ar". Voei.
   Bastava segurá-las e recortar algo imaginário para se estar voando. Passei por lagos, árvores e montanhas. É indescritível a sensação de voar. Não é como estar em um avião, mas, sim, de estar livre.
   Fechei os olhos e curti aquilo que nunca havia experimentado. Assustei-me quando percebi que havia recortado algo concreto. Abri os olhos. Era a hélice de um helicóptero.
   O helicóptero caiu e houve um forte estrondo. Foi assim que me vi caída no chão de meu quarto. Espantei-me ao levantar-me e ver a cortina despencada e partida em retalhos. Olhei para o lado e avistei duas tesouras. 

Leticia Rocha

Texto escrito em 2007

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Estar Sozinho, mas...


Estar sozinho

 Às vezes é bom
Ficar sozinho.
Ouvindo o coração

O coração fala.
Nós ouvimos mal.
O coração fala
Baixinho.

O coração é sensível.
O coração não descansa
Enquanto há vida.

O coração quer regar
Todo nosso ser.

... mas é bom estar junto

Quando dois corações
Andam no mesmo ritmo
Os olhos entendem-se

Nasce harmonia
Nasce melodia
Surge vida

Vida interior,
Melodia.

                                                                          Letícia Rocha