domingo, 11 de março de 2012

Coração e Segredo

Meu coração é um cadeado.
Que mantém fechado o que há
de mais secreto em mim.
O que me move, me conduz
e me dá vida.

Meu sangue faz com que
esse segredo regue todo meu ser.
Segredo que poderá ser compartilhado
com quem descobrir o enigma.
Enigma que abre meu coração.
Enigma que se chama amor.

                                                          

                                                                                                                  
                                                        Letícia Rocha

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Aliança de Ouro



   Ficou paralisada por alguns instantes após o choque. Sua aliança de ouro havia encostado na tomada. A aliança que ela havia feito com a vida.
   A corrente elétrica penetrou em seu sangue revelando todos os segredos da vida. Ouvia cada um enquanto sentia seu coração palpitar. O mundo e a eletricidade eram sinônimos. Os seres humanos correspondem aos elétrons.
   Estava compreendendo palavras sem tradução. Estava entendendo a simetria do universo. Tudo não passava de reflexos. Os oceanos escondem os mistérios das galáxias. Os seres humanos buscam respostas externas e esquecem-se de buscar em si mesmos.
   A palavra conjunto parece reger tudo. Tudo é um conjunto de átomos. Tudo se separa em conjuntos que se encontram entrelaçados. Começando pelas células de seu corpo, com a cadeia alimentar e com as próprias leis do universo.
   Estava vendo partículas minúsculas aumentadas infinitas vezes mais. Concluiu que ela própria estava debaixo de um microscópio. Concluiu que ela estava diante de uma origem e um fim. Tudo obedece as leis dessa origem. Essa é sinônimo de equilíbrio. Pode ser representada pelo número zero. Funciona como um espelho infinito. Funciona da mesma forma que seu cérebro para seu corpo. É o exterior e o interior ao mesmo tempo, ambos são opostos, se atraem,  são reflexos e se expandem.
   Segurou a aliança em suas mãos. Com um movimento decidido a prendeu em seu coração e deixou-se ser transportada. Transportada pela corrente que corre por suas veias. Transportada pela corrente que rege o universo.


Leticia Rocha

sábado, 3 de março de 2012

Busco Um Lugar


 


Busco um lugar
Um lugar onde
Eu não me sinta só
Mesmo que esteja

Onde a noite me toque
E o brilho das estrelas
Me traga conforto

Um abrigo onde
Mesmo que a brisa sopre
Eu me sinta aquecida

Que sua beleza
Encante meus olhos
E que o silêncio
Me faça pensar

Pois sem ti
Me sinto só
Sem ti, não há
Quem me toque

Só o calor
De teus braços
Me traz conforto

Sem ti, meus olhos
Perdem o encanto
Sem ti, meus pensamentos
Voam sem direção
Preciso de ti, Jesus.


                                                                Letícia Rocha




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Uma Grande Descoberta


   Trovoadas, raios, uma chuva densa caindo lá fora. Assim, estava o dia. Não somente o dia, como também, Sofia, em seu interior. Ela ouvia o barulho da chuva no quarto enquanto sentia-se muito triste e vazia. A cada trovoada, então, pensava e repetia pra si mesma "se eu tivesse alguém aqui do meu lado, alguém que me ouvisse...". Mas, claro, no fundo, ela sabia que isso não bastava. O vazio era maior que qualquer ser humano.
   A vida dela na verdade, nem era tão má. Tinha uma família, pai, mãe e uma irmã. Era uma menina bonita, inteligente. Poderia-se dizer que, exteriormente, tratando-se de vida exterior, ela tinha tudo que qualquer um podia desejar. Mas dentro de si, algo gritava. Ela queria completar-se sem saber como. Não sabia onde encontrar essa parte sua, que talvez um dia se perdeu.
   Tampouco, Sofia sabia qual era o seu valor. Naquela tarde, porém, depois de muito chorar pela falta de um motivo para viver, ela adormeceu. Primeiro, teve um pesadelo. Monstros queriam puxá-la e atirá-la de um penhasco abaixo. Eram três. Eles apontavam uma arma. Riam e queriam empurrá-la. Puxaram-na pelo braço, sem dó. Tamanha era a agressividade deles. Iam atirar. Era questão de segundos, eles estavam apenas curtindo mais um pouco a sua agonia. Mas de repente aparece um jovem muito bonito, que se aproxima dos monstros e com o poder de levantar seus braços, diz: Saiam!  Eles caem no penhasco. E Sofia, muito assustada, tenta se acalmar, mas já se sente mais aliviada ao ver aquele belo sorriso e a coragem do jovem. Então, ela pergunta:
   - A gente, se conhece? Nossa, eu não sei como agradecer o que você fez por mim.
   -Você não imagina o quanto esperei por esse momento. Jamais deixaria eles te matarem sem te dar uma chance de ser minha amiga.
   -Como assim?
   -Venha cá, vamos conversar. Sente aqui, gosta de uva?
   -Sim...
   Ele coloca um tapete no chão e eles sentam embaixo de vários cachos de uva.
   -Mas me conta -continua ela- ainda não sei quem você é.
   -Entregue seu coração a mim, que eu te digo. Você já sabe, sou o que faria tudo por você.
   Sofia nunca tinha ouvido tais palavras antes. E ficou maravilhada. Então, você já tinha me visto, me conhece? Ta querendo ser o meu namorado? E nem o teu nome diz!
  - Quero ser mais que teu namorado. Quero ser o teu melhor amigo, teu companheiro para todas as horas.
   -Você é o meu herói. Eu quero ficar do teu lado.
   -Por você faria isso incontáveis vezes. E você nem imagina o que tenho preparado pra você.
   -Você  tá me deixando cada vez mais curiosa, qual seu nome?
   Ele abraça Sofia carinhosamente, passa as mãos nos seus cabelos e diz. Morri por você para que pudéssemos estar juntos agora. Eu desejei isso com todas as minhas forças.
   -Ela pasma, coçou os olhos e disse:
   -Você é Jesus de quem tanto minha vó fala?
   -Sou Eu
   -Oh, Jesus. Eu só te conhecia de ouvir falar. Eu desejo que você seja o meu amigo. Faço o que você quiser. Você salvou a minha vida.
   -Apenas me deixa ser o teu companheiro e o dono do barco da tua vida. Vou te levar pra lugares que tu nunca imaginou. Aceita?
   -Aceito.
   Sofia acordou de repente e foi imediatamente ligar para sua vó dizendo que queria ir conhecer sua igreja. Marcaram de ir à noite. A palavra que o seu Amigo falou com ela naquele dia foi "Não vos me escolhesses, mas eu escolhi a vós". (João 15-16)
   Chegou em casa e soube que tinha sido escolhida, que não havia nada que pudesse tirar essa alegria dela. Que agora ela poderia caminhar lado a lado com o seu companheiro, confiando que ele estava dirigindo o barco da sua vida. Com o tempo, ela foi vendo que não havia nada, nem ninguém mais poderoso que o seu herói. Nada mais temia, agora era feliz de verdade por conhecê-lo pessoalmente e viver ao seu lado.


Leticia Rocha 

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Força

Existe uma força que
mexe com o meu ser
Dentro de mim, assim
como o mar,
ondas levantam-se
e batem em pedras,
sentimentos e marcas
que circulam pelo
vermelho de minhas
veias.

Leticia Rocha

terça-feira, 21 de junho de 2011

Voz da Melodia

 Escrevi esse trecho ao ouvir Watermark, Enya.


   O voo do pássaro é curto. Eu sigo adiante em busca de abrigo. Olhando para cima, para o meu guia. Primeiro ando a passos largos. Depois vou diminuindo o ritmo conforme a música do céu prossegue. Meus ouvidos captam a harmonia. Eu sou o vento. Ja fui o mar, serei o fogo. No entanto, hoje sou partículas que arrastam pequenos grãos . As marcas do passado são fortes como o som que ouço dia a dia. O futuro é apenas uma sombra distante que foge de mim.

Leticia Rocha

sexta-feira, 25 de março de 2011

A Imagem no Espelho

  A água quente escorria por seu corpo causando uma sensação deliciosa de relaxamento, de prazer e de bem estar. Com um movimento delicado, com suas unhas cuidadosamente pintadas e belas mãos, ela desliga o chuveiro. Devagar abre a porta, enrola-se na toalha e sente o frio daquela noite de inverno.
  Ali estava o seu reflexo no espelho. Via seus olhos caídos devido ao cansaço. Sua pele já não era a mesma de dez anos atrás. Ela analisava cada ponto de seu rosto. Passava as mãos em seus cabelos lisos. Percebia que os anos estavam passando. Percebia que o tempo não descansava. Não via apenas sua imagem no espelho, via o reflexo de um passado cheio de planos, projetos, intenções e pouco aproveitamento do presente.
   A imagem refletida acompanhava seus movimentos e expressões. Ela ficou a se perguntar se estaria o seu reflexo sentindo e pensando o mesmo que ela. Olhou bem no fundo dos olhos daquela mulher que havia escolhido ser. Enxergava solidão, arrependimento talvez, via cansaço. O que mais desejava naquele momento era estar perto de alguém. Sua imagem era a única pessoa que a acompanhava naquele instante. Odiou-a por isso. Odiou-se por ser uma mulher solitária. Sentiu raiva.
   Segurou o espelho com suas mãos. Puxou-o e arremessou –o contra a parede e com vontade. O objeto partiu-se em mil pedaços. Ela riu ao ouvir o barulho dos cacos. Riu vendo o espelho partido. Esqueceu-se do frio daquela noite. Esqueceu-se  de que estava nua.  Mas lembrou-se de que ainda estava só.  Do riso passou a chorar.

                                                                      Letícia Rocha