Existe uma força que
mexe com o meu ser
Dentro de mim, assim
como o mar,
ondas levantam-se
e batem em pedras,
sentimentos e marcas
que circulam pelo
vermelho de minhas
veias.
Leticia Rocha
sexta-feira, 15 de julho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Voz da Melodia
Escrevi esse trecho ao ouvir Watermark, Enya.
O voo do pássaro é curto. Eu sigo adiante em busca de abrigo. Olhando para cima, para o meu guia. Primeiro ando a passos largos. Depois vou diminuindo o ritmo conforme a música do céu prossegue. Meus ouvidos captam a harmonia. Eu sou o vento. Ja fui o mar, serei o fogo. No entanto, hoje sou partículas que arrastam pequenos grãos . As marcas do passado são fortes como o som que ouço dia a dia. O futuro é apenas uma sombra distante que foge de mim.
Leticia Rocha
O voo do pássaro é curto. Eu sigo adiante em busca de abrigo. Olhando para cima, para o meu guia. Primeiro ando a passos largos. Depois vou diminuindo o ritmo conforme a música do céu prossegue. Meus ouvidos captam a harmonia. Eu sou o vento. Ja fui o mar, serei o fogo. No entanto, hoje sou partículas que arrastam pequenos grãos . As marcas do passado são fortes como o som que ouço dia a dia. O futuro é apenas uma sombra distante que foge de mim.
Leticia Rocha
sexta-feira, 25 de março de 2011
A Imagem no Espelho
A água quente escorria por seu corpo causando uma sensação deliciosa de relaxamento, de prazer e de bem estar. Com um movimento delicado, com suas unhas cuidadosamente pintadas e belas mãos, ela desliga o chuveiro. Devagar abre a porta, enrola-se na toalha e sente o frio daquela noite de inverno.
Ali estava o seu reflexo no espelho. Via seus olhos caídos devido ao cansaço. Sua pele já não era a mesma de dez anos atrás. Ela analisava cada ponto de seu rosto. Passava as mãos em seus cabelos lisos. Percebia que os anos estavam passando. Percebia que o tempo não descansava. Não via apenas sua imagem no espelho, via o reflexo de um passado cheio de planos, projetos, intenções e pouco aproveitamento do presente.
A imagem refletida acompanhava seus movimentos e expressões. Ela ficou a se perguntar se estaria o seu reflexo sentindo e pensando o mesmo que ela. Olhou bem no fundo dos olhos daquela mulher que havia escolhido ser. Enxergava solidão, arrependimento talvez, via cansaço. O que mais desejava naquele momento era estar perto de alguém. Sua imagem era a única pessoa que a acompanhava naquele instante. Odiou-a por isso. Odiou-se por ser uma mulher solitária. Sentiu raiva.
Segurou o espelho com suas mãos. Puxou-o e arremessou –o contra a parede e com vontade. O objeto partiu-se em mil pedaços. Ela riu ao ouvir o barulho dos cacos. Riu vendo o espelho partido. Esqueceu-se do frio daquela noite. Esqueceu-se de que estava nua. Mas lembrou-se de que ainda estava só. Do riso passou a chorar.
Letícia Rocha
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Paisagem, História e Melodia
Sou um lápis a escrever a vida.
Meus pensamentos são as mãos
que me conduzem.
Me movimento livremente.
Sou um pincel
a pintar distraidamente.
Sou conduzida por minhas emoções.
São elas que escolhem
cada cor do que vivo.
Sou os dedos que deslizam
pelo piano suavemente
Toco a música que movimenta
minha vida
Leio, escuto e vejo
tudo aquilo que forma
cada ponto da paisagem,
da história, da melodia, do meu viver.
Letícia Rocha
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
O Talento e o Segredo
No alto de um piano,
Se escondia uma caixa.
Debaixo do instrumento,
só havia um segredo
Eu queria os dois para mim.
Na caixa havia um talento.
No chão eu não sabia.
Só uma opção eu tinha.
Direito a uma escolha apenas.
Sempre o mistério me atraiu mais.
Quem sabe se não fossem
10 talentos?
O que fazer?
Sentei ao piano e toquei
Duas melodias...
O som,
As notas musicais...
Quanta harmonia!
O piano começou a se elevar.
Então, flutuei...
O segredo se fundiu com
cada som.
E ao ouvir,
eu descobri o que eu queria.
Abri a caixa e meu talento
eu obtive.
O segredo era uma nova melodia.
Leticia Rocha
Se escondia uma caixa.
Debaixo do instrumento,
só havia um segredo
Eu queria os dois para mim.
Na caixa havia um talento.
No chão eu não sabia.
Só uma opção eu tinha.
Direito a uma escolha apenas.
Sempre o mistério me atraiu mais.
Quem sabe se não fossem
10 talentos?
O que fazer?
Sentei ao piano e toquei
Duas melodias...
O som,
As notas musicais...
Quanta harmonia!
O piano começou a se elevar.
Então, flutuei...
O segredo se fundiu com
cada som.
E ao ouvir,
eu descobri o que eu queria.
Abri a caixa e meu talento
eu obtive.
O segredo era uma nova melodia.
Leticia Rocha
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Os Anos, As Diferenças
As gotas de chuva molhavam a janela do ônibus, enquanto Bibiana pensava em como seria sua nova vida há quatrocentos quilômetros longe dos pais. Estava viajando para casa dos avós, onde passaria a morar agora que estudaria medicina na capital. Imaginava ela que finalmente poderia fazer o que quisesse, pois seus avós, já na velhice permitiriam tudo, claro.
Bibiana apesar de muito estudiosa, gostava muito de sair à noite e de fazer festas. Antes mesmo de chegar à cidade, já estava sabendo que teria uma festa com os bixos da faculdade. Faria de tudo para ir.
Seus avós haviam se mudado há pouco tempo, ela ainda não conhecia a casa. Gostou da decoração antiga, os móveis robustos, um lustre muito bonito na sala, tudo de muito bom gosto. Finalmente foi conhecer seu quarto. Era do mesmo estilo da casa, bem diferente do seu, mas ela gostou. No dia seguinte, ao acordar, foi tomar o café da manhã e avisar sua avó de que iria sair.
- Vó, hoje à noite estou indo a uma festa.
- Desde que termine antes das dez, tudo bem, minha filha. - respondeu a avó.
- Como assim? A senhora acha que vai terminar nesse horário? Vó, a festa termina de manhã.
Ela arregalou os olhos e quase se engasgou com o café.
- Cuidado vó, a senhora está bem?
- Querida, isso não é coisa de moça decente. Nem pensar. Eu com sua idade não saía à noite.
- Vó, hoje é diferente.
- Você pode ir, mas se for ficarei magoada com você. Ora, onde já se viu? Isso não é coisa de moça decente!
Bibiana não entendia sua avó. Como uma pessoa poderia ser considerada indecente por ir a uma festa e voltar tarde? Para ela, isso era perfeitamente normal e um hábito seu. Não queria, porém, magoá-la. No entanto, queria muito ir à festa. Sentia-se dividida. Decidiu que conversaria de tarde com ela. Enquanto isso sua vó lembrava de quando Maria, a mãe de Bibiana, tinha a idade dela e de tantas coisas que ela a havia privado por não tentar entendê-la. Como ir a festas e namorar, nunca achava que a filha tinha idade o suficiente até que um dia percebeu que ela já tinha crescido. "Será que agora não estava fazendo o mesmo com a neta?", pensava. Já de tarde:
- Vó...
- Fale.
- Não há nada de indecente em ir a uma festa e voltar tarde. Não fique magoada comigo se eu for. Só irei dançar e conversar com amigos.
- É difícil para eu entender, filha. Mas a verdade é que muito mudou da minha época para a sua. Assim, como tive que compreender as diferenças quando sua mãe tinha a sua idade, vou tentar entender você agora. Pode ir, não ficarei magoada.
- Obrigada, vó.
Sua avó tricotava enquanto dizia isso e Bibiana percebeu que sua geração era bem diferente da de sua avó e imaginou que um dia ela seria uma velhinha tricotando também, mas não como sua avó. Tricotaria através de um jogo de videogame.
Letícia Rocha
Letícia Rocha
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